A VERDADE:

Do julgamento em tribunal de duas versões opostas de um qualquer facto resultam no mínimo quatro verdades diferentes: as duas correspondentes a cada uma das partes em conflito, a que resulta da sentença doutamente proferida, e ainda aquela que se torna inatingível, aquela à qual nunca se chegará... a que fica 'ad aeternum' no segredo dos deuses."

Por Monteiro de Queiroz, 2020

Desista de ter razão

"DESISTA DE TER RAZÃO
publicado em recortes por José Silveira

Abrir mão da necessidade de ter razão não significa que você não tenha seu ponto de vista. Porém, você tem uma escolha: abrir mão da necessidade de defender seu ponto de vista. Para o ego, render-se significa derrota e desgraça. Contudo, numa perspectiva de evolução espiritual, cabe perguntar a si mesmo: vale a pena seguir nesse caminho?


Grande parte dos relacionamentos humanos são prejudicados pelo confronto entre o certo e o errado. A maioria das pessoas quer impor seus pontos de vista ao mundo. Elas carregam crenças sobre o que é certo e errado e ficam “aprisionados” a essas crenças por anos. De fato, “eu estou certo” e “você está errado” traz o frio conforto de julgar os outros e se sentir superior. A necessidade de estar certo gerará antagonismo, conflito e rejeição.

Ter razão implica que alguém deve estar errado.

Os conflitos surgem como resultado da falta de entendimento de que há tantos pontos de vista quanto há pessoas. Nossos pontos de vista únicos são uma dádiva.

Na realidade, não existe nada como uma, e apenas uma, perspectiva correta. Certo é aquilo que está de acordo com a sua percepção. Você vê o mundo como você é. Os outros veem o mundo como eles são também.


Conforme Deepak Chopra, “este insight é extremamente libertador porque, antes de tudo, faz de você uma pessoa única. No fim das contas, faz de você um cocriador com Deus. Quando sua consciência se expande, a realidade também o faz. Um enorme potencial escondido é revelado”.

Vivemos em um universo que reflete quem somos, o que deveríamos valorizar e celebrar. Em vez disso, defendemos “com unhas e dentes” nosso pequeno pedaço dele. Pensem em como os relacionamentos se desenvolvem. Nós nos damos bem com alguém que concorda com nosso ponto de vista. Sentimo-nos respeitados na sua presença. Vale destacar que as pessoas se aproximam por afinidades, valores e interesses comuns. Grupos são formados dessa maneira.

Por fim, vale perguntar a si mesmo num próximo debate ou discussão: “o que eu quero com essa situação, ter razão ou ser feliz?” Você perceberá que ao adotar uma postura menos defensiva, a não necessidade de ter razão, sua mente vai ficando mais tranquila, começará a sentir mais empatia e sua percepção se expandirá. O resultado disso tudo é uma quantidade enorme de energia que fica disponível quando você desiste da necessidade de ter razão." 


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Sou professor Associado II da Universidade Federal de Santa Maria no curso de Relações Internacionais. Leciono as cadeiras de História das Relações Internacionais na era moderna e contemporânea. Estudioso da obra shakespeariana desde setembro de 1999. Publiquei algumas obras: Sob o signo da Fênix, Sob o signo das Valquírias, Sob o signo das Fúrias, A tragédia da política em Ricardo III, A tragédia da política em Ricardo II e participei com um capítulo da obra Arte e Política do Prof. Dr. Miguel Wady Chaia. Organizei a obra A tragédia da política (Relações Internacionais). Já participei de diversas Antologias Poéticas. Atualmente, tenho uma coluna digital no Diário de Santa Maria.

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