A VERDADE:

Do julgamento em tribunal de duas versões opostas de um qualquer facto resultam no mínimo quatro verdades diferentes: as duas correspondentes a cada uma das partes em conflito, a que resulta da sentença doutamente proferida, e ainda aquela que se torna inatingível, aquela à qual nunca se chegará... a que fica 'ad aeternum' no segredo dos deuses."

Por Monteiro de Queiroz, 2020

Bérgamo, a cidade na Itália devastada
pelo coronavírus
por uma decisão dos patrões

Na região mais rica do país, Fábricas ficaram abertas enquanto corpos enchiam caminhões do exército

Alba Sidera

Revista Contexto | 15 de Abril de 2020 às 12:04

Existem imagens que marcam uma época, que ficam gravadas no imaginário coletivo de um país. A imagem que os italianos não poderão esquecer por muitos anos é aquela que os vizinhos de Bérgamo fotografaram de suas janelas na noite do 18 de março. Setenta caminhões militares atravessaram a cidade em meio a um silêncio fúnebre, um atrás do outro, numa lenta marcha em sinal de respeito: transportavam cadáveres.

Eram levados para outras cidades, fora da Lombardia, porque o cemitério, o necrotério, a igreja transformada em necrotério emergencial e o crematório funcionando 24 horas por dia não davam conta. A imagem eternizava a magnitude da tragédia em curso na região italiana mais afetada pelo coronavírus. No dia seguinte, o país amanheceu com a notícia de ser o primeiro da lista mundial por mortes oficiais por covid-19. A maior parte, na Lombardia. Porém, o que torna a situação tão dramática especificamente em Bérgamo? O que aconteceu nessa região para que em março de 2020 o número de mortos tenha sido 400% acima do que no mesmo mês do ano anterior?

No dia 23 de fevereiro existiam apenas dois casos positivos de coronavírus na província de Bérgamo. Em uma semana, o número subiu para 220 — quase todos no vale do rio Serio. Em Codogno, outra cidade lombarda, onde o primeiro caso de coronavírus foi detectado no dia 21 de fevereiro, bastaram 50 casos positivos para fechar a cidade e decretá-la uma área vermelha (de máximo risco). Por que não agiram da mesma forma no vale? É porque lá concentra-se um dos pólos industriais mais importantes da Itália e os empresários industriais pressionaram todas as instituições para evitar o fechamento das fábricas e a perda de dinheiro.

Por incrível que pareça, a região campeã em mortes por coronavírus por habitante da Itália inteira — e da Europa — nunca foi declarada área vermelha, apesar do espanto dos prefeitos que pediam tal medida, e dos cidadãos, que agora exigem que haja pessoas responsabilizadas por isso. Os médicos do Val Seriana são os primeiros a jogar a real: se a região tivesse sido declarada área vermelha — como todos os especialistas aconselhavam — centenas de vidas teriam sido salvas, garantem, impotentes.

A história é bem obscura: aqueles interessados em manter suas fábricas abertas são também, em alguns casos, acionistas ou sócios de hospitais particulares. A Lombardia é a região italiana que melhor representa o modelo de mercantilização da saúde e tem sido vítima de um sistema de corrupção em larga escala, comandado pelo seu ex-governador Roberto Formigoni (que governou de 1995 a 2013) e que é membro destacado do partido Comunhão e Libertação (CeL). Ele pertencia ao mesmo partido de Berlusconi, que o defendia como o “governador vitalício da Lombardia”, mas contou sempre com o apoio da Liga, que governa na região desde que Formigoni saiu, acusado e condenado por corrupção na área da saúde. Seu sucessor, Roberto Maroni, iniciou em 2017 uma reforma da Saúde que trouxe ainda mais cortes nos investimentos públicos e que praticamente aboliu os médicos de família, substituindo-os por “gestores”. É verdade que nos próximos 5 anos cerca de 45 mil clínicos gerais irão desaparecer, mas “quem ainda vai ao seu médico de família?”, disse, inabalável, em agosto do ano passado, o político da Liga Giancarlo Giorgetti, então vice-secretário de Estado do Governo Conte-Salvini.

A epidemia na região de Bérgamo, a chamada Bergamasca, teve início oficialmente na tarde do domingo 23 de fevereiro, embora os médicos de família e clínicos gerais — na linha de frente da denúncia da situação — garantam que desde o final de dezembro já vinham atendendo muitos casos de pneumonias anômalas, inclusive em pessoas de 40 anos. No hospital Pesenti Fenaroli, de Alzano Lombardo, um município com 13.670 habitantes a poucos quilômetros de Bérgamo, o resultado dos testes de coronavírus de dois pacientes internados, chegaram: eram positivos.

Como eles já tinham estado em contato com outros pacientes, médicos e enfermeiros, a direção do hospital decidiu fechar as portas. Mas, sem explicação alguma, reabriram horas depois, sem desinfetar as instalações nem isolar os pacientes com Covid-19. Pior ainda: todos os trabalhadores (médicos, enfermeiros, etc) continuaram trabalhando sem proteção durante uma semana inteira; grande parte deles foi contagiada e acabou disseminando o vírus entre a população. O número de contágios multiplicou-se por todo o vale. O hospital foi, assim, o primeiro grande foco da infecção: pacientes que ingressaram por uma simples dor no quadril, acabaram morrendo por coronavírus.

Os prefeitos dos dois municípios mais afetados do Vale do Serio, Nembro e Alzano Lombardo, esperavam todo dia às 19h que chegasse a ordem de fechar a cidade, que era o que tinham combinado. Tudo estava pronto: os regulamentos escritos, o exército mobilizado, o chefe da polícia tinha organizados os turnos de cada guarda e as tendas já estavam montadas. Mas a ordem nunca chegou, e ninguém soube explicar a eles o porquê. Em vez disso, chegavam muitas e muitas ligações dos empresários e donos de fábricas da região, preocupadíssimos em evitar a qualquer custo o fechamento de suas atividades. Nem disfarçavam.

Sem nenhum remorso, no dia 28 de fevereiro, em plena emergência por causa do coronavírus (que em 5 dias tinha atingido 110 infectados na região, saindo totalmente de controle), a Confindustria, associação de empresários industriais italianos, deu início a uma campanha nas redes com a hashtag #YesWeWork (“Sim, nós trabalhamos”). O presidente da Confindustria da Lombardia, Marco Bonometti, declarou à mídia: “Precisamos abaixar o tom, fazer a opinião pública entender que a situação está sendo normalizada, que as pessoas podem voltar a viver como antes”.

No mesmo dia, a Confindustria Bergamo lançou sua própria campanha direcionada aos investidores estrangeiros para convencê-los de que ali não estava acontecendo nada e que não fechariam nem de brincadeira. O slogan não deixava dúvidas: “Bergamo non si ferma / Bergamo is running” (Bérgamo não pára).

A mensagem do vídeo promocional para os sócios internacionais era um despropósito: “Foram diagnosticados casos de coronavírus na Itália, mas do mesmo jeito que em outros países”, minimizando a situação. Também, mentiam: “o risco de infecção é baixo”. Colocavam a culpa nos meios de comunicação por um suposto alarmismo injustificado e, enquanto mostravam operários trabalhando em suas fábricas, gabavam-se do fato de que todas as fábricas iriam continuar “abertas e a todo vapor, como sempre”.

Apenas cinco dias depois, estourou o enorme surto de contágios e mortes que acabou sendo o mais importante da Itália e da Europa. Mas nem assim retiraram a campanha, e nem pensariam em fechar as fábricas. A Confindustria Bergamo reúne 1.200 empresas, que empregam mais de 80 mil trabalhadores. Todos foram expostos ao vírus, foram obrigados a ter de trabalhar, em grande parte, sem as medidas adequadas — aglomerados, sem distâncias de segurança nem materiais de proteção — colocando em risco suas vidas e a de todas as pessoas ao seu redor.

O prefeito de Bérgamo, Giorgio Gori, do Partido Democrático, também tinha se unido ao clamor contra o fechamento da cidade e, no dia 1º de março, convidava as pessoas a encherem as lojas do centro com o slogan “Bérgamo não para”. Pouco depois, diante da evidência da catástrofe, se arrependeu e reconheceu que tinha tomado medidas muito fracas com a intenção de não afetar a atividade econômica das grandes empresas da região.

No dia 8 de março, os contágios oficiais na região bergamasca passaram, em uma semana, de 220 para 997. Pela tarde, vazou a informação de que o governo pretendia isolar a Lombardia. Depois de horas de caos, no qual muitos abandonaram Milão numa grande debandada, o primeiro ministro Giuseppe Conte surgiu, já de madrugada, numa confusa coletiva de imprensa por meio do Facebook, anunciando o decreto. Não era o que os prefeitos de Vale do Serio esperavam: nada de área vermelha, senão, laranja. Ou seja, ficariam restritas as entradas e saídas dos municípios, mas todo mundo podia continuar indo aos seus respectivos trabalhos.

Após dois dias, o confinamento estendeu-se a toda a Itália. E nada mudou na região bergamasca, na qual os contágios continuavam a crescer, no mesmo ritmo imparável de suas fábricas funcionando a todo vapor. “Quando todos na região, principalmente em Nembro e Alzano Lombardo, tinham certeza que seria decretada área vermelha, algumas importantes empresas pressionaram para atrasá-la o máximo possível”, conta Andrea Agazzi, secretário-geral do sindicato FIOM Bérgamo, no programa Report do canal RAI. E acrescenta: “A Confindustria deu as cartas e o governo escolheu de que lado ia ficar”.

Os contágios e as mortes aumentaram, incessantes, especialmente nas regiões industriais da Lombardia, localizadas entre Bérgamo e Brescia. Exatamente um mês após o primeiro caso oficial de coronavírus na Itália, no sábado 21 de março foi atingido o triste recorde de quase 800 mortos por dia. Os governadores da Lombardia e do Piemonte — outro grande pólo industrial — declararam que a situação era insustentável e que era necessário deter a atividade produtiva. Conte, que até então tinha se mostrado contra as medidas, apareceu na mesma noite, bastante perturbado, para afirmar que agora sim, seriam encerradas “todas as atividades econômicas produtivas não-essenciais”.

A Confindustria reagiu imediatamente e começou uma ofensiva ação para pressionar o governo. “Não podem ser fechadas todas as atividades não essenciais”, escreveram numa carta ao premiê, detalhando suas exigências. Os industriais fizeram com que o decreto demorasse 24 horas em ser aprovado e que Conte aceitasse suas condições. De fato, o governo tinha escolhido o seu lado — e não seria o lado dos trabalhadores.

Os sindicatos, em bloco, opuseram-se em pé de guerra e ameaçaram com uma greve geral se não fosse cumprido o encerramento real das atividades produtivas não-essenciais. A Confindustria tinha conseguido colocar na lista de atividades que poderiam continuar funcionando muitas que não eram de primeira necessidade, como as da indústria de armas e munições. Além disso, incluíram uma espécie de cláusula que permitia que qualquer empresa que se declarasse “funcional” para uma atividade econômica essencial, pudesse permanecer aberta na prática. Isso fez com que em Brescia, a outra província lombarda destruída pelo coronavírus, mais de 600 empresas excluídas da lista das essenciais, iniciassem os procedimentos para poder continuar funcionando.

“Não entendo os motivos pelos quais os sindicatos iriam querer uma greve. O decreto já é bem restrito: o que mais precisaríamos fazer?”, disse o pouco empático presidente da Confindustria, Vincenzo Boccia. E acrescentou: “Já vamos perder 100 bilhões de euros por mês. Não parar a economia é bom para o país inteiro”. Annamaria Furlan, secretária geral do sindicato CISL, tentou explicar a ele: “Sou sindicalista há 40 anos e nunca pedi o fechamento de fábrica, mas é que agora é a vida das pessoas que está em risco “.

Os trabalhadores das fábricas começaram protestos e greves enquanto os sindicatos negociavam com o governo, que, no fim, reconsiderou. Foram eliminadas algumas atividades da lista das mais de oitenta “essenciais”, como a indústria armamentícia ou os call-centers que vendem por telefone ofertas que não foram solicitadas. Também houve uma restrição às indústrias petroquímicas. Também, foi combinado que não bastava a autocertificação de uma empresa para considerá-la funcional para outra essencial, e foi estabelecido o compromisso de proteger o direito à saúde dos trabalhadores que continuassem nas fábricas. Apesar disso, ainda restaram alguns pontos ambíguos no decreto, e existe uma zona cinza que permite que muitas fábricas continuem abertas. Do mesmo modo, muitos operários continuam trabalhando sem distância de segurança e sem o material de proteção adequado.

As fábricas da região bergamasca continuaram praticamente todas abertas até o dia 23 de março, quando os contágios oficiais na região já chegavam na cifra de 6.500. Uma semana depois, no dia 30 de março, apesar do decreto de fechamento de “todas as atividades produtivas não essenciais”, ainda restavam 1.800 fábricas abertas e 8.670 infectados na região.

Apresentemos os nomes às fábricas que não quiseram fechar. Uma das empresas da região é Tenaris, líder mundial na fabricação de tubos e serviços para a exploração e produção de petróleo e gás, com faturamento de 7,3 milhões de dólares e sede legal em Luxemburgo. Emprega 1,7 mil trabalhadores em sua fábrica da região bergamasca e pertence à família Rocca, com Gianfelice Rocca, o oitavo homem mais rico da Itália.

Na província de Bérgamo, como em toda a Lombardía, os planos de saúde privados são muito poderosos. Comprovadamente, a metade dos serviços de saúde passa por mãos privadas. Os dois hospitais particulares mais importantes da região, que faturam, cada um, mais de 15 milhões de euros anuais, pertencem ao grupo San Donato — cujo presidente é nada mais nada menos que o vice-primeiro-ministro italiano, Angelino Alfano, ex-sucessor de Berlusconi — e ao grupo Humanitas. O presidente de Humanitas é Gianfelice Rocca, também proprietário de Tenaris, indústria que também não quis mandar seus trabalhadores para casa. A saúde privada bergamasca não foi ativada para a emergência do coronavírus até o dia 8 de março, quando, por decreto, todos os serviços não urgentes tiveram que ser adiados. Só então começaram a abrir espaço para os pacientes com covid-19.

A Brembo é outra grande empresa com fábricas na região de Bérgamo Pertence a poderosa família Bombassei, também envolvida em política: Alberto, o filho do fundador, foi deputado por Scelta Civica, o partido de Mario Monti. Tem 3 mil trabalhadores em suas fábricas na zona de Bérgamo, que produzem freios para automóveis. Fatura 2, 6 milhões de euros. Não quiseram fechar.

O Vale do Serio foi industrializado em grande parte por empresas suíças há mais de 100 anos. Por isso a presença de fábricas ligadas à Suíça ainda é importante. Outra grande empresa que tem mais de 6 mil trabalhadores na Itália, mais de 850 na região é a ABB, com capital suíço e sueco. Líder em robótica, fatura 2 milhões de euros. No dia 30 de março seguia aberta, em total normalidade.

A Persico, empresa italiana que produz componentes automotivos, com 400 trabalhadores e 159 milhões de faturamento, tem sede em Nembro, o município com mais mortes por covid-19 por habitante na Itália. Pierino Persico, o proprietário, foi um dos que mais se opôs a declarar a cidade zona vermelha.

Em Nembro, em março de 2019, morreram 14 pessoas. No mesmo mês deste ano foram 123 (um aumento de 750%). E ainda assim, os infectados oficiais são apenas 200. Em Alzano Lombardo, em março de 2019, morreram 9 pessoas; em março agora, 101. Na cidade de Bérgamo (de 120 mil habitantes) o número de mortos em março foi de 553, enquanto que, em março de 2019, foram 125. Os dados sobre os infectados não são confiáveis porque não fazem testes e a Proteção Civil italiana — que realiza a recontagem — adverte que os números devem se multiplicar por pelo menos dez.

Segundo um estudo publicado pelo Giornale di Brescia, na província lombarda a cifra de infectados seria 20 vezes maior que a oficial, cerca de 15% da população. E o mesmo com o número de mortes. Segundo esse estudo, seria o dobro das oficiais, ou seja, três mil só na província de Brescia. A falta de testes — em vivos e mortos — torna impossível efetuar uma contagem confiável. O que sabemos é que a Itália é o país com mais mortos por covid-19 no mundo, em torno de 18 mil, e a maioria são da zona norte industrial.

Agora, diante de milhares de cadáveres e uma população que começa a converter sua dor em raiva, todos querem fugir de suas responsabilidades. O governador de Lombardía, o leghista Attilio Fontana, culpa o governo federal e assegura que não foi mais rigoroso porque não deixaram. Na verdade, se ele quisesse poderia ter sido, como foram os governadores de Emiliana Romaña, Lacio e Campania, que decretaram área vermelha em suas regiões.

A verdade é que nenhuma autoridade esteve à altura, exceto os prefeitos de pequenas cidades, que são os únicos que reconheceram — e denunciaram publicamente — as pressões dos industriais, que os assediavam com ligações para tentar de todas as formas evitar ou adiar o fechamento das fábricas. A partir de uma Bérgamo ferida e ainda em choque, os cidadãos começam a se organizar para pedir que os fatos sejam esclarecidos e que alguém assuma, ao menos, a responsabilidade de ter permitido que os interesses econômicos fossem sobrepostos à saúde — ou melhor, à vida — dos trabalhadores de Bergamasca. Muitos deles, inclusive, precários.

*Alba Sidera é jornalista ítalo-catalã, correspondente do jornal catalão El Punt Avui na Itália e colaboradora da Revista Contexto, onde a crônica foi publicada originalmente.

**A tradução para o português é de Simone Paz Hernández e Rôney Rodrigues para o Outras Palavras.

Edição: Revista Contexto

in brasildefato.com.br

https://www.brasildefato.com.br/2020/04/15/bergamo-a-cidade-na-italia-devastada-pelo-coronavirus-por-uma-decisao-dos-patroes [15.abr.2020]

China escondeu gravidade
do surto do novo coronavírus
durante seis dias

Associated Press teve acesso a documentos internos que provam que regime chinês já tinha noção da gravidade do surto em Wuhan, mas durante seis dias manteve esses dados secretos.

As autoridades chinesas demoraram seis dias a tornar pública a dimensão e o risco representado pelo surto inicial do novo coronavírus em Wuhan, uma atitude que pode ter comprometido a resposta inicial à epidemia. A informação está confirmada em documentos internos a que a Associated Press (AP) teve acesso, através de uma fonte médica não identificada, e que foi publicada esta quarta-feira.

A 14 de janeiro, o diretor da Comissão Nacional chinesa de Saúde, Ma Xiaowei, fez uma teleconferência com vários responsáveis de saúde do país, onde afirmou que “a situação epidémica é grave e complexa, é o desafio mais sério desde a SARS em 2003 e é provável que se torne numa grande questão de saúde pública”. A AP confirmou esta informação não apenas através dos documentos, mas também junto de duas fontes que estiveram presentes na teleconferência. Os documentos indicam que a avaliação de Ma Xiaowei foi transmitida para dar instruções vindas diretamente da cúpula do governo: do Presidente Xi Jinping, do primeiro-ministro Li Kequiang e do vice-primeiro-ministro Sun Chunlan.

Os responsáveis políticos só viriam a pronunciar-se publicamente sobre a situação a 20 de janeiro, numa declaração pública de Xi Jinping. Ao longo desses seis dias, mais de três mil pessoas terão sido infetadas na China.

A resposta ao novo coronavírus só começou a avançar a 14 de janeiro, depois de se ter detetado o primeiro caso fora da China, a 13 de janeiro, na Tailândia. De acordo com a AP, os documentos — marcados com indicações como “interno”, “não é para ser espalhado na internet” ou “não é para divulgação pública” — mostram que o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças de Pequim iniciou então um plano nacional com equipas de trabalho para “obter fundos, formar profissionais de saúde, reunir dados, conduzir investigações no terreno e supervisionar laboratórios”, de acordo com os documentos. À província de Hubei, onde fica Wuhan, foi recomendado que começassem a ser feitos controlos de temperaturas em aeroportos e estações de comboio e autocarro — mas tal informação não foi tornada pública de imediato.

A Comissão Nacional de Saúde também distribuiu instruções aos responsáveis de saúde nas províncias para que se começassem a identificar casos suspeitos e para que fosse fornecido equipamento de proteção individual aos profissionais de saúde. “Toda a gente que trabalha na área das doenças infecciosas no país sabia que se passava algo”, resumiu à AP uma especialista chinesa que preferiu não ser identificada. Oficialmente, Pequim continuava a afirmar que o vírus não era preocupante e assumia apenas a existência de 41 casos diagnosticados na China.

As reações a estas notícias são variadas. Zuo-Feng Zhang, epidemiologista da Universidade da Califórnia, considera que esta é uma informação “tremenda”. “Se eles tivessem tomado medidas seis dias mais cedo, haveria menos pacientes e as instalações médicas poderiam ter aguentado. Podia ter sido evitado o colapso do sistema de saúde de Wuhan”, afirmou à agência.

Ray Yip, antigo fundador da delegação do Centro de Controlo de Doenças norte-americano na China, discorda. “Eles podem não ter dito a coisa certa, mas fizeram a coisa certa”, afirma. “Fizeram soar os alarmes em todo o país no dia 20, o que é um atraso razoável”.

A República Popular da China recusa qualquer acusação de que tenha escondido qualquer tipo de informação: “As alegações de um encobrimento ou de falta de transparência na China são infundadas”, declarou o porta-voz dos Negócios Estrangeiros na passada quinta-feira.

in https://observador.pt/2020/04/15/china-escondeu-gravidade-do-surto-do-novo-coronavirus-durante-seis-dias/ [15.abr.2020]

La Jocurile Mondiale Militare
de la Wuhan, in octombrie 2019,
soldatii americani
au suferit de "stranii pneumonii"

Adevar sau paie pe focul conflictului China - SUA? La Jocurile Mondiale Militare de la Wuhan, in octombrie 2019, soldatii americani au suferit de "stranii pneumonii"

Conform unor declarații ale oficialilor americani interpelați în Congres, Pentagonul a trimis 280 de atleți la Jocurile Mondiale Militare, mulți dintre sportrivi fiind internați din cauza unei ”stranii pneumonii”. La Wuhan, România a avut 77 de atleți, ocupând locul 23 în clasamentul pe medalii

Publicat: Sambata, 14 Martie 2020, 20:00

Între 18 și 27 octombrie 2019, la Wuhan, în China, au loc Jocurile Mondiale Militare. O competiție gigantică, cu 9.603 sportivi din 104 țări, cu 27 de discipline și 316 probe. Pentagonul decide să trimită aici 280 de atleți, la 17 discipline. Mulți dintre aceștia se simt obosiți, răciți, gripați, este nevoie de internarea lor. Pe documentele oficiale scrie ”formă ciudată de pneumonie”. Ceva e straniu! Yankeii sunt bolnavi pe capete, din 280 de oameni iau doar opt medalii: niciuna de aur, trei de argint și cinci de bronz. Atât!

Zilele trecute, Ministrul Afacerilor Externe din China, Zhao Lijian, face rost de o înregistrare a interpelării lui Robert Redfield în fața Congresului Statelor Unite.

Redfield este directorul Centrului de Control și Prevenție Sanitară din SUA. Ce declară omul pe 11 martie? ”Înaintea începerii crizei coronavirus ului în lume, în Statele Unite au existat decese provocate de o pneumonie ciudată, identificată, mai târziu, drept coronavirus”...Zhao se întreabă, apoi, cine este ”pacientul zero” american, despre care spune că Redfield nu vrea să dea detalii. Unde a apărut acesta, cum s-a infectat, epidemia a pornit la drum din SUA sau a venit din China, unde fusese adusă tot de către americani? Mai mult, doctorul Zhong Nanshan, șeful Comisiei Naționale de Sănătate din China afirmă, pe 27 februarie, că ”infecția s-a detectat pentru prima dată pe teritorul țării noastre, dar virusul e posibil să nu-și aibă originile în China”...

Jocurile Mondiale Militare s-au desfășurat în Wuhan, capitala provicniei Hubei, între 18 și 27 octombrie 2019, reprezentând o imensă desfășurare de forțe. Au existat 230.000 de voluntari și, pentru prima oară în istorie, a existat un Sat Olimpic, unde sportivii au fost cazați.

România a participat cu o delegație de 77 de persoane, ocupând locul 23 în clasamentul pe medalii, cu un aur, patru locuri doi și trei locuri trei. Unele delegații au participat cu militari activi, altele, precum Rusia, China sau Italia, cu sportivi profesioniști integrați în Forțele Armate ale respectivelor țări. Podiumul a fost format din China, Rusia și Brazilia.

https://a1.ro/news/social/americanii-au-dus-in-china-virusul-in-octombrie-la-jocurile-mondiale-militare-romania-a-avut-77-de-trimisi-in-epicentrul-coronavirusului-id970740.html
https://a1.ro/galerie/americanii-au-dus-in-china-virusul-in-octombrie-la-jocurile-mondiale-militare-romania-a-avut-77-de-trimisi-in-epicentrul-coronavirusului-id970740-play0.html [15.abr.2020]

Portugal é um dos países
mais perigosos do mundo
na Covid-19

«Portugal é um dos países mais perigosos do mundo na Covid-19

Os portugueses estão entre os povos mais afetados e em maior risco do mundo em casos confirmados de infectados de Covid-19 e mortes no mundo pelo SARS-Cov-2, considerando o tamanho da população.

Na resolução de problemas gosto de factos em vez de ilusionismo. Não é com propaganda que salvamos vidas.

Portugal é um dos piores países do mundo em número de casos confirmados de doentes infetados com Covid-19...

Em número de mortes por milhão de habitantes, infelizmente com cerca de 50 mortos por cada milhão de habitantes, somos também dos mais letais países por Covid-19 no mundo...

Até o Brasil parece estar bastante melhor que Portugal com muito menos mortes por milhão de habitantes, cerca de 300% (!) menos mortes por milhão. ...»

15 abr 2020, 14:44
Pedro Caetano
Fármaco-epidemiologista, Oxford, Reino Unido

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"Visão Factual Epidemiológica: Portugal é um dos países mais perigosos do mundo na Covid-19

Os portugueses estão entre os povos mais afetados e em maior risco do mundo em casos confirmados de infectados de Covid-19 e mortes no mundo pelo SARS-Cov-2, considerando o tamanho da população.

15 abr 2020, 14:44

Sou cientista fármaco-epidemiologista formado em Harvard e a trabalhar em Oxford. Na resolução de problemas gosto de factos em vez de ilusionismo. Não é com propaganda que salvamos vidas. O Gráfico do final do dia de 14 de abril (fonte infra), baseado nos mesmos dados compilados na melhor faculdade de saúde pública mundial (Johns Hopkins) e inspirado pelo jornal Financial Times, normalizado pelo tamanho da população (por milhão de habitantes), mostra os seguintes factos epidemiológicos:

- Portugal é um dos piores países do mundo em número de casos confirmados de doentes infetados com Covid-19, tendo quase 1700 casos por cada milhão de habitantes; não muito longe da Itália, EUA ou França (se comparado ao mesmo dia 38 pós-primeiro caso em cada país). Só a Espanha é dramaticamente pior no número de infectados. Quase todos os outros países Europeus e a maioria dos quase 200 países do mundo têm menos infectados confirmados.

- Em número de mortes por milhão de habitantes, infelizmente com cerca de 50 mortos por cada milhão de habitantes, somos também dos mais letais países por Covid-19 no mundo, embora não tão tragicamente no cimo da tabela como no número de casos. Aqui não só a Espanha mas seis outros países europeus estão significativamente piores que Portugal com 50% a 250% mais mortes por milhão de habitantes. No entanto, estamos logo no segundo pelotão dos mais perigosos, muito pior que a maioria dos países europeus. Estamos, por exemplo, bastante mais perto das mortes nos EUA que da República Checa. Temos 200% (!) mais mortes por milhão de habitantes que a República Checa (dia 14 de Abril que é o dia 16 após a primeira morte na República Checa com 13.4 mortes por milhão versus o dia 16 de Portugal em que havia 27.3 mortes por milhão). Em relação aos EUA temos somente cerca de 30% menos mortes (71,4 versus 49 mortes por milhão de habitantes, 22 dias após a primeira morte em cada país, hoje em Portugal, ontem nos EUA).

- Até o Brasil parece estar bastante melhor que Portugal com muito menos mortes por milhão de habitantes, cerca de 300% (!) menos mortes por milhão. No dia 12 após a primeira morte, o Brasil tinha 6,3 mortos por milhão, Portugal tinha 20,3 mortos por milhão de habitantes.

É crucial em epidemiologia ou ciência levar em conta esta diferença de tamanho da população dos países como fiz acima e apresentar dados normalizados, em casos por milhão de habitantes. Isto porque até as crianças da escola primaria aprendem na matemática que o número de casos (ou no caso da escola primaria, número de objetos) não se divide por valores absolutos para distorcer a realidade, mas de acordo com o tamanho dos países (por milhão de habitante, ou, na escola primaria, pelo tamanho de cada grupo por quem se dividem os objetos – o meu filho de 5 anos sabe fazer essas contas).

Estou pois aterrorizado e repugnado com o comportamento cientificamente de idade das trevas, desrespeito pela verdade irresponsável e leviano de certa comunicação social portuguesa tipo Impresa SIC/Expresso (e até do inenarrável New York Times das notícias falsas ou ideológicas ao elogiar Portugal sem verificar estes factos).

Tais falsas noticias baseiam-se em apregoar a toda a hora números absolutos não normalizados por população, mentindo que a situação é “globalmente muito positiva em Portugal, somos dos melhores” (citação no telejornal da SIC deste Domingo), ou, como é sugerido repetidamente no Expresso, com muitos melhores lideres (Presidente e PM) e melhores resultados que os outros países.

Alardeiam, erradamente face aos casos confirmados e resultados normalizados pelo tamanho da população, que a situação é muito melhor e mais bem gerida em Portugal que nos outros países, incluindo EUA e Brasil. Isto quando, factualmente, em mortes por milhão de habitantes, o primeiro destes países está só um pouco acima de Portugal (EUA com 30% mais mortes) e o segundo bastante abaixo (Brasil com 300% menos mortes).

Jornalistas da SIC sempre elogiados pelo Presidente da República ou primeiro-ministro e vice-versa andam assim, sem nada questionar, a desinformar os portugueses que um pais pequeno com 30 vezes menos população que outros países está muito melhor. Isto apenas porque em valores absolutos também tem menos casos de Covid-19. Claro e obviamente que temos menos casos absolutos que os EUA, por exemplo, pois também temos muitos menos habitantes: só 10 milhões em vez de 330 milhões!

É aterrador que os suspeitos habituais de subserviência governativa da comunicação social portuguesa, bem como as fracas autoridades de saúde do meu pais, sejam cúmplices por leviandade ou maldade, com propaganda política, não factual nem epidemiológica, pondo em risco a vida dos portugueses.

Isto dá irresponsavelmente à população um sentido de falsa segurança não baseado nos números epidemiológicos corretamente normalizados. Os cidadãos são levados a pensar, erradamente, que estão mais seguros em Portugal que na maioria dos outros países. Isto quando o nosso é um dos países do mundo mais perigosos em relação à infeção (Top 5 do mundo) e morte por Covid-19 (Top 10 no mundo inteiro).

Fonte: https://91-divoc.com/pages/covid-visualization/ consultada a 14 de Abril de 2019, 23 horas.

Pedro Caetano é MPH (Harvard), PgDip (Oxford), PgDip (London), MS (Michigan), PharmD (Ohio State), MBA (ESSEC), MBA (Mannheim), PhD (Michigan); Ex-Professor de Farmacologia e Epidemiologia na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Lisboa: Atual Director Global da Industria Farmacêutica baseado no condado de Oxford, Reino Unido."

in https://observador.pt/opiniao/visao-factual-epidemiologica-portugal-e-um-dos-paises-mais-perigosos-do-mundo-na-covid-19/ [15.jan.2020]

"Recunoasteti ca am fost
infranti caci asta
e primul pas spre victorie."

Alina Mihai
8 de abril às 18:21

PROLOG

"Eu sunt anestezist, medic militar si acum va scriu din Suceava. Pentru cine scriu? In primul rand pentru mine, ca nu cumva sa uit vreodata ceea ce simt acum. Si in al doilea rand, pentru colegii mei anestezisti - pe multi ii cunosc personal, fac parte din reteaua mea de suport si eu din reteaua lor. Si in al treilea rand pentru voi toti! Toti cei ce asteptati apasati de propria asteptare.

In armata ordinele se executa, nu se discuta! Stie toata lumea. "Maine plecati la Suceava" "Am inteles! Sa traiti!" Oamenii din jurul meu s-au activat, am primit mesaje de sustinere, si-au manifestat compasiunea si mi-au oferit ajutorul. Familia mea a acceptat cu greu si lacrimi ordinul. Dar mie nu mi-a fost frica nicio secunda. Voi deschide acum o poarta spre mintea mea de atunci - dincolo de poarta asta ati fi gasit acelasi peisaj la multi anestezisti. Mi-am pus in bagaj toate sosetele - nu aveam de gand sa pierd timpul spaland si uscand rufe - si cel mai inportant, mi-am luat cartile. Sentimentul era ca plec la un examen din sesiune dar la care nu are ce sa-mi pice si sa nu stiu. La fel ca si ceilalti colegi ai mei, in ultimele saptamani am studiat materialele publicate despre COVID-19. Tacticos, am pus piesele cap la cap ca un puzzle. Totul se potrivea. In mintea mea misiunea era clara, pasii stabiliti. Stiam dinainte toate miscarile adversarului, il studiasem avid, nu avea niciun as in maneca. Frumosetea planului meu era atat de imbatatoare incat chiar si eu m-am indragostit de el. Pe drum, le-am explicat si colegilor ce au de facut. Eram o echipa tactica iar eu imi asumasem rolul de a conduce sesiune de briefing. Cu toate aceste referinte militare evidente, eu inca nu stiam ca nu mergem la examen - ci la razboi.

GRESALA

Cu siguranta ca v-ati intrebat unde au gresit italienii, spaniolii sau americanii. Cred ca pot sa va dau un raspuns - dar nu inca, mai asteptati putin.

Mai mult, nu cred ca este cineva cu atata minte incat sa fie capabil sa-si deblocheze telefonul dar care sa creada ca avem vreun sistem (orice sistem, inclusiv cel medical! sau mai ales acesta) care sa functioneze mai bine ca acolo. In plus, sunt popoare in a caror material genetic este impregnat razboiul. Cu toate acestea, in conditii tactice mult mai favorabile, echipamente medicale, protocoale pre-existente (americanii au organizatii nationale care se ocupa cu simularea unor pandemii), personal medical (pentru colegii mei medici care nu au lucrat in afara tarii: nu incercati sa va imaginati - sunt mai multi decat va puteti voi imagina), capacitate logistica superioara, infrastructura adecvata...cu toate acestea, COVIDel i-a ingenunchiat.

Sunt convins ca toti colegii mei medici, inclusiv cei din Italia, Franta, Spania, UK sau USA au avut un plan asemanator cu al meu. Impartim pacientii in fenotipuri: LOW vs HIGH. Ca sa ii impartim le facem un test de incarcare cu oxigen. Daca sunt Low, insemna ca au doar o nepotrivire intre ventilatie si perfuzie dar au inca complianta pulmonara buna, pot sa-si creasca tidal-volume (Tv) si atunci oxigenarea lor se va imbunatati. Daca ajung la SpO2>92-94 ii manageriem conservator, pe sectii, ii invatam sa faca auto-proning (suna mai savant decat este in realitate treaba asta; cine nu stie ce este, nu va voi strica surpriza, dati un search :)) ) si ii urmarim ca sa nu dezvolte complicatii ulterior pentru ca COVID-19 poate avea si un pattern de evolutie bifazic.

Daca nu raspund la testul de incarcare cu O2, inseamna ca au alveolele inundate si complianta pulmonara scazuta si aceasta categorie raspunde doar la PEEP deci trebuie sa-i intubam si sa-i ventilam mecanic. Datele par sa sugereze suport ventilator precoce. Dupa ce-i intubam e nevoie sa monitorizam P-plat si sa o mentimem sub 30 iar driving pressure dP<15. Ventilam cu volume mici pentru asta, 6 sau chiar 4ml/kg. Ajustam PEEP si FiO2 ptr o saturatie de 90-92%. Daca e nevoie ne permitem hipercapnie relativa pana la pH de 7.2 sau chiar 7.15 dupa care infuzam continuu bicarbonat de sodiu. Monitorizam continuu WOB, spatiul mort si gradientul alveolo-capilar. Daca ne creste spatiul mort ventilat inseamna ca e posibil sa existe tromboza micro-vasculara. Anticoagulam (eventual de la inceput in doze curative daca nu identificam factori de risc). Evaluam constant CRP si Feritina pentru a identifica un eventual t0 al furtunii citokinice cand putem initia un contra-atac imunosupresor. Instalam santinele hemodinamice - tensiune arteriala invaziva, monitorizarea debitului cardiac pentru a identifica un eventual atac asupra cordului. Simplu, nu?

Hai sa facem impreuna un inventar. Pentru planul meu avem nevoie de ventilator mecanic pentru toti cei care se incadreaza in fenotipul HIGH, cineva care sa monitorizeze toate presiunile macar o data pe ora, analizator de gaze sanguine, senzor de etCO2 la fiecare, cateter arteial, transducer de presiune, monitoare de CO (macar unul sau doua ca le poti muta dar oricum ai nevoie de kituri pentru majoritate pacientilor), om care sa monteze toate aceste catetere (centrale, radiale, femurale), personal mediu care sa recolteze probe, personal auxiliar care sa ingrijeasca bolnavii si foarte important un centru de comanda - cineva care sa integreze activitatea. Noi facem asta in fieecare zi, nu? Avem mereu pacienti cu ARDS (desi ideea asta e inca in discutie, e posibil sa nu fie chiar ARDS; dar sa nu complicam problema). Facem vizita mare, cineva supervizeaza tratamentul tuturor pacientilor din ICU. Din nou, simplu, nu??

REALITATEA

E ora 20:00. Urmeaza 12h de "reprezentatie" medicala. Ca un adevarat virtuoso pasesc increzator pe circuitele epidemiologice inca incomplete si improvizate ad-hoc dupa masura posibilitatiilor. Ma echipez: combinezon, trei perechi de manusi, ochelari, masca FFP3 si viziera. Vreau sa fac o fotografie. Cum cu ce? Cu telefonul pe care trebuie sa-l iau cu mine pentru ca nu exista un alt sistem de comunicare cu exteriorul odata ce ai intrat. Asta trebuia sa ma puna pe ganduri!(?) Oricum a iesit o poza proasta pentru ca telefonul era infoliat.

Gata! Sunt inauntru, pe partea cealalta, dincolo...sentimentul cred ca seamana cu ceva ce ai putea sa simti dupa ce esti rapit de o specie extraterestra. Similar cu acel efect video in care cineva ramane stingher intr-o masa enorma de oameni care se misca cu o viteza disproportional mai mare, pe repede-inainte, iar tu ramai nemiscat, auzind doar propria respiratie ritmica, din ce in ce mai sincronizata cu bataile inimii. Simt un fior rece. Ceva din mine se activeaza si transmite un semnal de alarma - inteleg doar atat: "ceva" nu e ok.

BUM!!! Realitatea - o alta realitate, nu cea proiectata de mine in camera mea de comanda, inconjurat de cartile mele - ma loveste brutal. Nu ma doare, inca sunt anesteziat. Sunt aproape 30 de pacienti in jurul meu. Cativa extraterestrii albi se plimba printre ei. Unii intuiesc rolul meu si incep sa ridice mainile disperate spre mine si striga "domnule doctoooor! domnule..." cuvintele le raman in gat. Ma uit in sus spre monitoare si vad ca saturatiile lor sunt 55-60% apoi ma uit mai sus...spre Dumnezeu si dintr-o data mi-a fost dat sa inteleg. Aici e RAZBOI!

Unul langa altul, conectati la un fel de oxigen ce nu pare suficient niciodata. Unii pe spate altii pe burta. Pe unele fete - resemnare, pe altele - disperare. Cei care nu erau intubati si ventilati mecanic erau extrem de hipoxici. O hipoxie atipica, unii nici macar nu sunt dispneici si pot chiar articula cateva cuvinte. Au o culoare tegumentara aparte. Sunt constienti dar nu...complet. Nu stiu sa descriu altfel dar va pot spune ca am avut nevoie de multa putere de procesare sa ma conving ca nu sunt inconjurat de strigoi sau zombie sau cum vreti voi sa le spuneti, niste umbre in care viata atarna ca o picatura de roua pe un fir de iarba. Sau ca o picatura de transpiratie pe interiorul ochelarilor de protectie...

"Domnule doctor, veniti repede!" se aude infundat de undeva de pe coridor. Ma intorc rapid stanga-imprejur, militareste, ma lovesc cu capul de ceva - nu stiu ce era si de cand era acolo. Prin ochelarii aburiti, cu gluga in cap care imi limita campul vizual si peste toate viziera care ma delecta cu cele mai sugubete jocuri de lumini, era difcil sa-mi mentin o traiectorie care sa nu ridice semne de intrebare asupra ne-ebrietatii mele. Gasesc salonul, ma uit pe monitor, 32% saturatie. Ma uit la pacient, efort respirator marcat, iminenta de stop respirator, tahipneic dar constient, se lupta cum putea el, nu renuntase. Ma vede ca dau ordine - intuieste ca sunt doctorul. Intr-un gest de abandon total se linisteste si imi spune ca nu poate respira, sa fac ceva, orice, ca el nu mai vrea sa traiasca asa, mai bine sa moara decat asa.

OK, imi spun - atunci sa incepem! Cer video-laringoscopul ! "Avem undeva, sa merg dupa el?" urmeaza raspunsul. Nu ma intelegeti gresit, ar fi mers bucuroasa dna asistenta dar era unul singur, era in alta parte, nici ea nu stia exact unde, ar fi trebuit sa-l caute. Realizez ca nu avem timp. Il iau pe cel normal, dau cateva indicatii legate de medicatie. Fac laringoscopia - nu vad nimic, totul e edematiat - IOT dificila! La naiba, imi spun! Incerc sa ma concentrez, vad ceva, cer sonda. O primesc in mana dar e fara stilet (explicatie: probabil ca trebuia eu sa cer cu stilet dar pentru ca nu eram la mine acasa nu stiam asta). Cer sa-mi bage stilet. "Stati sa caut" vine raspunsul. Intuiesc ca urmeaza cateva secunde poate 1 minut. Ce sa fac? Sa ventilez pe masca si balon?? Toata comunitatea medicala recomanda sa nu facem asta de teama aerosolizarii. La naiba din nou! Iau balonul si masca, nu o sa te las sa mori imi spun. Masca e una prea mica, trebuie sa aleg - o pun pe gura sau pe nas. Grea decizie, imi dau seama ca oricum e inutil gestul meu. Le arunc razbunator ca si cum obiectele acestea ar fi de vina. "Incearca din nou fara stilet, poate merge" il aud pe colegul meu care ajunsese si el in salon intre timp. Fac din nou laringoscopia, deja sunt familiarizat cu locul, vad epiglota si poate ceva sub ea. Introduc sonda, cer din nou balonul - imi dau seama ca nu exista filtru pe balon dar acum nu mai conteaza. Ventilez de cateva ori. Lipseste ceva...ahh da, trebuie sa confirm stetacustic. Dar de ce nu am facut asta pana acum? La naiba din nou!!! Nu am stetoscop pentru ca oricum nu poate fi folosit de vreme ce am o gluga pe cap (doohh!). Colegul meu pune mana pe piept, ne uitam amandoi prin ochelarii aburiti daca se ascensioneaza toracele ca intr-un film prost ce se vrea comedie - pare ca da. Apoi ne apropiem amandoi cu urechile de pacient pana cand eventualele zgomote pot sa treaca prin straturile noastre protectoare. Se aude din stomac!!! Scot sonda, fac din nou laringoscopia, de data asta am si stilet si securizez in final calea aeriana, conectez pacientul la ventilator, tensiunea arteriala e mica dar inca nu e bradicardic. Mai avem putin timp, imi spun. Dupa cateva miscari acrobatice si cel mai probabil de un absurd poetic avand in vedere vestimentatia, reusesc sa ma mut cumva de la capul bolnavului, in fata ventilatorului. E un draeger mai vechi - nu conteaza, nu totul trebuie sa fie cu touch-screen. Ventilatie controlata in volum, cu auto-flow (are asa ceva ventilatorul asta? sper! display-ul e putin mai mare decat cel de la un ceas de mana deci nu prea vad nimic pe el; lasa asta, vedem dupa!), FiO2 100, volume mici, pun 450 pentru moment ca tabla inmultirii s-a ascuns undeva in spatele creierului acum - o sa iasa ea. Apas de cateva ori pe butoane sa vad presiunile si dintr-o data aparatul incepe sa ma alarmeze. Spune pe limba lui ca nu functioneaza senzorul de flux. Cer alt senzor de flux. Stiti ce urmeaza, nu? Da, exact - nu este altul. Atunci am inteles al doilea lucru. Nu doar ca este RAZBOI, dar nu avem cum sa-l castigam! Ideea mea despre stategia optima de ventilatie a fost snopita in bataie de o realitate necrutatoare. Am ales un mod de presiune, am pus niste valori putin sub cele critice si am spus un "Doamne ajuta!". Dupa doua ore primul SCR, dupa alte doua si cativa zeci de mililitrii de noradrenalina si adrenalina al doilea SCR. L-am last viu cand am plecat...a murit a doua zi. Daca veti avea dispozitia si veti medita putin la tragedia asta pandemica veti ajunge cu siguranta la concluzia ca totul este invaluit intr-o pelicula aderenta de ironie. De exemplu: dupa ce l-am stabilizat (credeam eu) pe acest pacient, mi-am dat seama ca nu stiu unde imi lasasem telefonul. Si eram de garda, trebuia sa il am la mine. Evident, combinezoanele nu au buzunare (niste chinezarii!). Si am vazut pe noptiera telefonul pacientului. Asadar l-am luat si am sunat proriul meu numar. Mi-am recuperat telefonul si pace buna. Dar a doua zi la ora 05:51 in timp ce dormeam si visam la o lume fara ventilatoare mecanice, imi suna telefonul. Raspund! "Sunteti ruda cu dl XX?" Sunt buimac, as fi raspuns ca nu sunt ruda cu nimeni acum. Raspund totusi cu NU. "Cine sunteti? pentru ca dl xx a murit si nu avem un nr de telefon unde sa anuntam decesul. Iar in telefonul lui era nr dvs, l-ati sunat ieri. Era singurul nr".

Sigur ca acest episod a ramas scrijelit pe scoarta mea cerebrala poate si pentru ca a fost cartea de vizita a acestei drame infectioase. Dar au urmat multe altele asemenea in orele ce au urmat.

Pot sa va spun ca ceea ce s-a intamplat aici, in Suceava, se putea intampla oriunde. Da, si in spitalul tau! Pe toti ne-ar fi prins cu pantalonii in vine, recunoaste-ti-va voua insiva asta si hai sa depasim momentul. Sa nu cumva sa credeti ca cei care lucreaza acum in spitalul asta bantuit nu muncesc. Au mari probleme de toate felurile dar nu va prefaceti ca la voi acasa e mereu sters praful si niciodata nu va ramane peste weekend un maldar de vase in chiuveta.

Acum a venit momentul sa va raspund la prima intrebare. Acum poate veti putea intelege raspunsul. Asadar, de ce nici macar cei mai buni din curtea scolii nu au facut fata (in afara de Germania, acolo nu am o explicatie). Pentru ca au pornit cu totii asa ca mine, increzatori, vanitosi, acea vanitate a savantului care stie ca intelege si intelege ca stie pentru ca EL a muncit si a invatat si a mangaiat ventilatoare toata viata si are mereu mai multi asi in maneca decat se pot consuma intr-o partida. Si uite din nou o alta ironie. Nici macar nu suntem in situatia in care am subestimat acest virus, el s-a prezentat asa cum este, nu ne-a ascuns nimic niciodata, nu a recurs la razboi asimetric, nu ne-a haituit pe strazi astfel incat noi sa nu putem sa ne ascundem. Ci dimpotriva, noi am navalit pe strazi sa-i aratam noi lui. Nu pe el l-am subestimat ci mai degraba ne-am supraevaluat pe noi insine.

CONCLUZII

1. Daca nu ne smerim, vom pierde acest razboi!

2. Toata stiinta e buna, dar daca esti doar unul (+2 asistente +1 infirmiera) la 30 de astfel de bolnavi, orice conduita medicala oarecum adecvata sau pertinenta este doar o fantezie. Este imposibil sa ai o atitudine pro-activa, va trebui sa te multumesti mereu cu o atitudine reactiva. Vei fi mereu cu cativa pasi in spate. Pentru ca activitatea se desfasoara in echipamente de protectie incomode, perioada in care pot sa stai in ICU e limitata. Si nimeni nu poate sta mereu acolo. Asadar fiecare vede pacientii poate o data la 36 de ore. Clearance-ul din terapie este mare, sunt mereu pacienti noi. Rezulta ca nu exista consecventa in tratament, hand-over-ul e mereu deficitar si ceea ce e cel mai grav lipseste un lider. Si nu vad cum se poate corecta asta. Dar fara un lider care sa supervizeze toata activitatea, haosul tinde sa creasca exponential pe zi ce trece. Sfatul meu e sa urmam imboldul aliatilor nostrii din US (niciodata nu am primit mai mult decat vorbe, dar acum chiar ca nu ne pot ajuta cu altceva): One is none and two are one! Mergeti impreuna, multi, toti daca puteti. Cu cat mai multi, cu atat mai bine. Discutati intre voi, impartiti informatia. Iar liderul trebuie sa stabileasca o conduita unitara. Acum asta e mai important ca niciodata. Acum Tanda trebuie sa stie totul despre Manda.

3. Acum toti cei decedati sunt doar numere. Va veni clipa cand vor fi NUME. Vom avea cu totii pierderi. Veti dori un umar pe care sa plangeti dar nu il veti gasi pentru ca toti vor avea pe cineva de plans. Ne va pune la incercare esenta noastra, ne va zgudui umanitatea din noi. Nu stiu ce sa va sfatuiesc aici, nu cred ca putem sa ne pregatim pentru asta.

4. Pregatiti-va sufleteste pentru decizii grele. Intr-o terapie cu 30 de bolnavi cu saturatie sub 60% si 10 ventilatoare...pe cine intubam??

5. Rugati-va! Daca nu Lui Dumnezeu, atunci unui dumnezeu. Recunoasteti ca am fost infranti caci asta e primul pas spre victorie."

in https://www.facebook.com/mihai.marginean.12/posts/10220175901601737 [15.abr.2020]